Tecnologia ajuda, mas interpretação humana ainda define o rumo do futebol.
O futebol moderno vive um de seus maiores debates desde a criação da regra do impedimento: afinal, quando acontece um lance polêmico, quem está certo — o árbitro de campo ou o VAR.
Desde
a adoção oficial do árbitro de vídeo pela FIFA, o objetivo sempre foi reduzir
erros claros e óbvios. Porém, na prática, o que se viu foi o surgimento de uma
nova discussão: a tecnologia trouxe justiça… ou apenas transferiu a
responsabilidade
O
que diz a regra
As
normas do VAR são definidas pela International Football Association Board
(IFAB), órgão responsável pelas regras do futebol mundial. Segundo o protocolo,
o VAR só pode interferir em quatro situações:
- Gol
(irregularidade na origem da jogada)
- Pênalti
(marcar ou anular)
- Cartão
vermelho direto
- Erro
de identificação de jogador
Ou
seja: o VAR não foi criado para apitar o jogo, mas para corrigir erros claros.
Então
por que ainda há polêmica?
Porque
o futebol não é uma ciência exata — é interpretação.
Existem
dois tipos de decisões:
1.
Factual (objetiva)
Exemplo: bola saiu, impedimento milimétrico, falta fora ou dentro da área.
➡
Aqui o VAR quase sempre resolve.
2.
Interpretativa (subjetiva)
Exemplo: intensidade da falta, mão na bola, disputa de corpo, carga leal.
➡
Aqui começa o
problema.
Mesmo
vendo o replay em câmera lenta, dois árbitros podem enxergar lances de maneira
diferente. O vídeo mostra… mas não decide sozinho.
Quem
manda afinal?
A
regra é clara:
👉 O VAR recomenda
👉
O árbitro decide
Ou
seja, a palavra final sempre será do árbitro de campo. Ele pode manter a
decisão mesmo após revisar no monitor — e isso não significa erro automático.
O
maior erro de compreensão do torcedor
Muita
gente acredita que o VAR veio para eliminar polêmicas.
Na verdade, ele veio apenas para reduzir erros graves.
O
futebol continuará discutível porque contato físico, intensidade e intenção
jamais serão 100% objetivos. O vídeo mostra a imagem — mas não lê pensamento.
Conclusão
O
VAR não substituiu o árbitro.
Ele virou apenas um segundo olhar.
Se
antes a discussão era “o juiz errou”, hoje virou
“qual interpretação foi mais justa?”
E
talvez seja exatamente isso que mantém o futebol vivo:
no campo, na arquibancada e principalmente na resenha depois do jogo.
Por:
Assis Araújo.


Nenhum comentário:
Postar um comentário